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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Ensaio Sobre a Origem do Karma

O sentimento
Me foi insuportável,
Então pela primeira vez
Escrevi espontaneamente,
Sem que me mandassem fazê-lo.

Não era questão de gosto,
Tinha a ver com aversão,
Eu precisava expulsar
De meu interior
O que me esfolava.

(Autor: Michel F.M.) ©

domingo, 23 de outubro de 2011

Amada Esferográfica

Amada esferográfica,
Onde estás ?

Provavelmente esquecida
Em alguma cômoda,
Impedida de exercer
Sua função existencial,

Enquanto me desencontro
Com pensamentos;
Expressões que longe de ti,
Jamais serão imortalizadas,
Perdidas por um descuido mortal.

(Autor: Michel F.M.)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Poesia tudo é

Abre aspas

Poesia é tudo
Tudo é Poesia
Poesia tudo é

Tudo que se vê é poesia,
Se não pode ver, ouça,
Tudo que se ouve é poesia,

Se não puder ouvir, fale,
Tudo que se fala é poesia
E o falante é um poeta.

Se não puder falar, deguste,
Tudo degustável é poesia.
Se não degustar, toque,

Tudo que se toca é poesia.
Impossibilitado de tocar,
Leia, escreva, pinte, dance,

Piche, borde, encene, lapide,
As linguagens todas são poesia.
Todavia se poetizando nada fizer,

Estará se inspirando,
Pois a ociosidade
Provém e promove a poesia
E ainda assim estará respirando,
Sendo que tal ato é poético.
Porém, se não respirar, morre
E a morte é poética.

Mas se respira, vive
E a vida é poesia.

Portanto somos biologicamente
Incapazes de não poetizar.

Em meu Poetês
Despeço-me,
Poeticamente.

Ass. Poeta

Fecha aspas


(Autor: Michel F.M.) ©

sábado, 25 de junho de 2011

A Parábola

Após descarregar seu discurso inflamado, a respeito dos valores morais e éticos, desmembrou as atitudes que corroem o alicerce da irmandade e das famílias; Disparou a ira divina contra os pervertidos, depravados e desnaturados, trucidando os vícios demoníacos que circundam e afogam a sociedade.

Ele deixou a igreja pela porta da frente. Com as costas voltadas para o templo, deu um suspiro; acendeu um cigarro, amaldiçoando em pensamentos todos os bem aventurados. Levava consigo a oferenda dos fiéis. Ainda naquela noite, bebeu meio litro de whisky, cuspiu num vagabundo que lhe implorou auxílio; dirigiu alcoolizado o veículo custeado pela paróquia;

Encostou à beira da estrada, deu carona para três crianças, duas meninas e um menino. Irmãos que moravam num acampamento mantido pela congregação. Na madrugada praticou atos terríveis.

Os inocentes retornaram ao abrigo. Violados, marcados e corrompidos. Irreparáveis em suas perdas.

Ele voltou para sua cobertura; admirou fotos proibidas; tomou um copo de leite quente, fez uma oração antes de deitar.

Ps. Deus observou descrente, não podia acreditar.

(Autor: Michel F.M.) ©